Praias de São Francisco do Itabapoana e Santa Clara, poderão ser atingidas por óleo que se espalhou no Nordeste

O município de São Francisco de Itabapoana poderá ser afetado pelo óleo que já se espalhou pelo litoral de nove estados do Nordeste. Pelo menos é o que aponta o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o oceanógrafo David Zee. Em entrevista dada ao jornal O Dia, Zee diz que SFI, Barra de São João e Quissamã seriam as primeiras cidades fluminenses afetadas, caso a mancha chegue ao estado do Rio. Nesta semana, pesquisadores da Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro) investigarão quais áreas do país ainda poderão ser atingidas pelo óleo.Esta será a segunda fase da pesquisa que apontou a possível origem do poluente: uma área que começa a uma distância de 600 a 700 quilômetros da costa brasileira, já em águas internacionais, em uma latitude próxima da divisa entre Sergipe e Alagoas. “Considerando os pontos onde foi localizado óleo, foi feito um trabalho de modelagem inversa. A partir das condições hidrodinâmicas, calculamos a trajetória do óleo voltando no tempo para tentar achar a origem”, ressaltou Carina Bock, pesquisadora do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da Coppe/UFRJ.Na nova etapa do estudo, os pesquisadores buscam descobrir para onde o óleo pode se deslocar. Será possível saber, por exemplo, se ele chegará ao Estado do Rio, em quanto tempo e possíveis pontos de entrada.”As praias do Norte e Nordeste vão ficar com resquícios do óleo pelos próximos 20 anos. Se chegar ao Sul da Bahia, o Espírito Santo é a bola da vez”, comentou o oceanógrafo David Zee. No Rio, segundo ele, a entrada se daria pelos municípios de São Francisco de Itabapoana, Barra de São João e Quissamã, no Norte do estado. “Se chegar àquela região, a pesca vai ser afetada e muita gente faz pesca de subsistência nessas cidades”, finalizou ao destacar sua preocupação com a falta de ações de contenção por parte do governo federal.O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) chegou a informar que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) garantiu que não foi identificada mancha em alto mar nem tendência de deslocamento nas proximidades do estado do Rio. O Inea também ressaltou que possui um plano de contingência que abrange o cenário de surgimento de óleo em praias, e que mantém a vigilância.De acordo com o Ibama, 187 localidades do Nordeste foram atingidas pela mancha em 76 municípios de nove estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Ainda segundo o órgão, a investigação da origem do material poluente está sendo conduzida pela Marinha. Já a investigação criminal é objeto da Polícia Federal.O Ibama informou também que o poluente se concentra em camada sub-superficial da água. “Por essa razão, as manchas não são visualizadas em imagens de satélite, sobrevoos e monitoramentos com sensores para detecção de óleo, sendo detectadas apenas quando alcançam a costa”, explicou o Ibama. O órgão informou que os prejuízos para a fauna e a flora estão sendo avaliados.No último dia 17, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra a União por omissão no desastre ambiental. A Procuradoria pede que seja colocado em prática o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água. “Tudo que se apurou é que a União não está adotando as medidas adequadas em relação a esse desastre ambiental que já chegou a 2.100 quilômetros dos nove estados da região”, afirma o MPF, que pede multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

Folha 1

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