EFEE caterimburgo

Em um jogo marcado pela ausência de Mohamed Salah, ainda se recuperando de lesão, e pela atuação abaixo do esperado da dupla de ataque ‘celeste’, formada por Luis Suárez e Edinson Cavani, o zagueiro Diego Giménez apareceu nos minutos finais e marcou o gol da vitória do Uruguai sobre o Egito por 1 a 0 na estreia das duas seleções na Copa do Mundo.

A partida disputada no Estádio Central, em Ecaterimburgo, teve baixo nível técnico, marcação forte e muitos erros de passe e de finalização, o que fez com que a rede demorasse a balançar. Quando tudo apontava para um empate sem gols, o defensor aproveitou cobrança de falta aos 44 minutos e fez de cabeça.

Quem tem motivos para lamentar o gol de Giménez é a Rússia, que ontem abriu a Copa goleando a Arábia Saudita por 5 a 0 e por isso ia liderando o grupo A da competição de maneira isolada, com três pontos. Entretanto, a bicampeã mundial também chegou a três, embora leve a pior no saldo. Africanos e asiáticos ainda não pontuaram.

De quebra, a ‘Celeste’ encerrou um jejum de vitórias em estreias em Mundiais que já durava 48 anos. O último triunfo havia sido sobre Israel, por 2 a 0, em 1970, no México.

Os ‘Faraós’ voltarão a campo na próxima terça-feira para enfrentar a dona da casa, em São Petersburgo. Um dia depois, a bicampeã mundial medirá forças com os sauditas em Rostov-no-Don.

Ainda se recuperando da lesão no ombro esquerdo, sofrida há três semanas, na final da Liga dos Campeões, Salah ficou no banco, e Mohsen, um dos seis jogadores convocados por Héctor Cúper que atuam no Al Ahly, começou jogando.

Além disso, o goleiro Essam El Hadary, de 45 anos e 5 meses, que baterá o recorde de jogador mais velho a disputar uma partida de Copa caso entre em campo na Rússia, ficou no banco, preterido em relação a Mohamed El Shenawy

No Uruguai, não houve surpresas. Havia apenas uma dúvida no meio-campo, com a disputa entre ‘Cebolla’ Rodríguez e De Arrascaeta. O jogador do Cruzeiro levou a melhor e apareceu na formação inicial, mas deu lugar ao ex-gremista no segundo tempo.

Desde o começo de jogo, a ‘Celeste’ teve maior volume de jogo, mas a dificuldade na criação era grande. A primeira tentativa foi feita aos sete minutos da etapa inicial, em um chute da meia-lua de Cavani defendido por El Shenawy. Na resposta egípcia, aos dez, Elneny fez o chuveirinho, Mohsen preparou e Trezeguet não pegou em cheio, facilitando o trabalho de Muslera.

O Egito ganhava o meio de campo, mas não incomodava o goleiro adversário. A partida era amarrada. Aos 22 minutos, Arrascaeta dividiu pela esquerda, Cavani matou no peito e chutou sem deixar cair, mas a bola desviou na defesa e saiu pela linha de fundo.

Na sequência, Suárez teve tudo para abrir o placar, mas vacilou. Após cobrança de escanteio da direita, ‘Luisito’ ficou com a sobra na segunda trave, mas pegou mal e errou o alvo.

Os meio-campistas uruguaios demonstravam certo nervosismo e cometiam falhas que não costumam cometer em seus clubes. Aos 35, Arrascaeta esticou para Nández, que tinha espaço para acionar Suárez, mas deu nas mãos de El Shenawy. Em seguida, aos 37, Godín curtiu uma de meia, abriu a defesa africana e tocou para Arrascaeta, que não conseguiu um domínio fácil.

A bicampeã mundial começou bem o segundo tempo e poderia ter feito 1 a 0 logo com um minuto. Cavani fez ótimo passe na direita da área para Suárez, que ficou com cara a cara com o goleiro e encheu o pé, mas El Shenawy interceptou com o joelho, em uma linda defesa.

O lance passou a falsa impressão de que o jogo esquentaria, mas não foi o que aconteceu. O Egito fez uma nova investida aos dez, na velocidade de Trezeguet, que carregou pelo meio e finalizou mal, longe do gol.

Tabárez mexeu no setor de meio-campo do Uruguai, com as entradas de Sánchez e ‘Cebolla’, enquanto Cúper trocou o atacante do Egito, mas o escolhido foi Kahraba, e não Salah.

Sem muito espaço, Sánchez tentou de longe, aos 22, mas carimbou a zaga. Aos 25, em bate-rebate na área egípcia, Cavani foi cercado por três e tentou, mas acertou o braço de Cáceres.

Depois disso, o jogo enfim ganhou certa emoção. Aos 26 minutos, Fathi teve espaço na direita e soltou uma bomba, que Muslera segurou. Na descida do Uruguai logo na sequência, Cavani colocou Suárez na cara do gol, mas o jogador do Barcelona demorou a definir e foi bloqueado pelo goleiro.

A parte final do duelo foi de pressão da equipe sul-americana, liderada por Cavani, que enfim fez valer toda a badalação em torno de seu nome. Aos 37 minutos, o camisa 9 recebeu de Suárez e soltou uma bomba no canto esquerdo, mas El Shenawy se esticou todo e espalmou. Aos 41, o centroavante sofreu falta pela meia esquerda, foi para a cobrança e acertou a trave.

Apesar da insistência de Cavani, quem resolveu para a ‘Celeste’ foi um zagueiro. Em outra infração a favor da bicampeã, na ponta direita, Sánchez levantou, Giménez subiu mais que a marcação e cabeceou firme no canto para marcar o único gol do jogo.

Ficha técnica:.

Egito: El Shenawy; Fathi, Ali Gabr, Hegazy e Abdel Shafi; Elneny e Hamed (Morsy); Trezeguet, Warda (Sobhi) e Abdallay; Mohsen (Kahraba). Técnico: Héctor Cúper.

Uruguai: Muslera; Varela, Godín, Giménez e Cáceres; Vecino (Torreira), Bentancur, Nández (Sánchez) e De Arrascaeta (Rodríguez); Cavani e Luis Suárez. Técnico: Óscar Tabárez.

Árbitro: Bjon Kuipers (Alemanha), auxiliado pelos compatriotas Sander van Roekel e Erwin Zeinstra.

Cartões amarelos: Hegazy (Egito).

Gol: Giménez (Uruguai).

Estádio Central, em Ecaterimburgo.