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PF deflagra operação contra suspeitos de agredir seguranças de Lula no ES

Tumulto em visita de Lula ao ES, em maio deste ano, teve policial federal agredido por indígena.

Os suspeitos de participar da confusão entre indígenas e policiais federais que faziam a segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Espírito Santo em maio deste ano, são alvos de busca e apreensão nesta sexta-feira (26).

A operação, apelidada de Vanguarda, ocorre em Aracruz, cidade do Norte capixaba onde aconteceu a 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura, evento que contou com a participação do petista e de vários membros do governo federal no dia 21 de maio.

A medida visa, segundo a Polícia Federal (PF), a aprofundar as investigações sobre os supostos crimes cometidos contra os agentes públicos durante o exercício de suas funções. Dão apoio à ação as Polícias Civil e Militar do Estado.

Segundo a PF, as investigações começaram após supostas agressões contra os policiais. Na ocasião, um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência foi atingido na cabeça e precisou levar pontos devido aos ferimentos.

O conflito começou quando indígenas do território Tupinikim tentaram se aproximar da área reservada às autoridades que compunham a mesa de honra da Teia Nacional. A intenção, segundo membros do grupo, era fazer uma apresentação cultural para saudar o presidente. A movimentação teria acionado o alerta da equipe de segurança presidencial, que bloqueou o avanço do grupo.

A sexta edição do maior encontro de pontos de cultura do Brasil foi realizada entre os dias 19 e 24 de maio em território indígena de Aracruz, no Sesc de Praia Formosa. Além de Lula e da primeira-dama, Janja, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, foi uma das autoridades presentes no evento.

A Justiça Federal expediu três mandados de busca e apreensão, enquanto a Vara da Infância e Juventude expediu um mandado, todos cumpridos na manhã desta sexta.

Mais de 70 policiais federais participam da operação, que levou, até o momento, à apreensão de celulares e outros objetos considerados relevantes para a investigação. Os materiais recolhidos serão encaminhados ao setor técnico-científico da Polícia Federal para exames periciais.

Indígenas criticaram a organização do evento

Um dia depois do evento, A Gazeta teve acesso a vídeos (veja acima) que mostram o tumulto nas proximidades do palco, onde estavam as autoridades, inclusive o presidente Lula. Nas imagens, um indígena ergue uma casaca – instrumento musical tradicional – e atinge na cabeça um dos agentes que faziam a segurança da Presidência.

Em conversa com a reportagem em 22 de maio, um dia após a vida de Lula, Jocelino Tupinikim, membro do Centro Cultural Tupinikim Ka’arondarapé, educador e liderança indígena, alegou truculência de parte da organização do evento, bem como negou que os indígenas foram ao local para protestar sobre pautas fora da agenda do evento.

“Não foi manifestação nem atentado à Presidência. Houve apenas um impasse com a segurança. Não tinha relação com repactuação [do Novo Acordo de Mariana] e nunca houve intenção de atacar ninguém. Os jovens apenas queriam estar mais perto”, afirmou.

Em publicação nas redes sociais, representantes do povo Tupinikim criticaram o que chamaram de silenciamento do povo indígena de Aracruz. A estudante de Pedagogia Victoria Tupinikim relatou que, desde julho de 2025, os indígenas da Aldeia Caieiras Velha participaram das tratativas para a realização da Teia Nacional dos Pontos de Cultura no território Tupiniquim e Guarani. No entanto, segundo ela, “muitas promessas, acordos ou expectativas não foram cumpridas”.

“Com a vinda do presidente da República, maior autoridade do nosso país, para nós era de grande importância recepcioná-lo. Sendo assim, entramos normalmente no autitório — e não invadimos. Todos estávamos credenciados, acompanhando o evento desde o primeiro dia”, contou, em publicação no Instagram.

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